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PORNOGRAFIA

  • Foto do escritor: Carlos Neiva
    Carlos Neiva
  • 24 de jul. de 2024
  • 12 min de leitura

Atualizado: 25 de jul. de 2024


Sexo é sem sombras de dúvidas uma coisa maravilhosa e a prova disso é que mesmo arcando com as consequências de ter mais filhos (considerando que o sujeito ache isso ruim) ou doenças, ele acredita que a satisfação sexual está acima das consequências. Ora, mas não como se fosse algo que eu precisasse provar, o sexo é bom e ponto. Afinal, o fato de muita gente querer ir atrás não prova que algo é bom, porque muitas pessoas vão atrás de coisas ruins, como preconceito, guerras e alienação, por exemplo.


O que pode definir uma coisa como boa? Só sabendo a resposta disso podemos definir o sexo como bom, mesmo o sexo não precisando de uma constatação lógica do quão bom ele é. Uma coisa é boa na medida em que ela gera consequências benéficas e não priva a liberdade. Por exemplo, fazer exercícios é algo bom? Vejamos: as consequências de alguém que se exercita são boas? Sim? E uma pessoa que se dispõe a se exercitar perde sua capacidade de autocontrole? Não? Então, exercícios físicos são bons. E o sexo? As consequências são boas? Depende. Ele priva a liberdade? Depende. O sexo é bom? Parece que não é algo tão certo assim: Depende.


O sexo só é bom se não te escravizar, se não for algo contra a sua vontade ou que não seja mais forte do que ela. Se você simplesmente faz sexo porque não dá conta de não o fazer, talvez você seja um exemplo de situações em que o sexo seja ruim. E quais são as consequências do sexo? Amor, gravidez desejada, união, prazer? Então é bom. Egoísmo, doenças, gravidez indesejada, sofrimento, submissão? Então não parece algo bom.


Um exemplo de situação em que o sexo é sem dúvidas mal é a pornografia. Pornografia é uma palavrinha que veio da junção de duas outras palavras:  πόρνη (pórnē; “prostituta”) e γράφειν (gráphein; “escrever” ou “registrar”), complementadas pelo sufixo -ία (-ia) que significa “estado de”, “propriedade de” ou “lugar de”). Portanto, “pornografia” significa “descrição escrita ou gráfica da prostituição”. Mas a pornografia ainda pode ser definida como “Descrição ou representação de coisas consideradas obscenas, geralmente de caráter sexual composta de qualquer coisa (livro, revista, filme, etc.) de cariz sexual com intenção de provocar excitação.”[i]


Ou como eu prefiro: Pornografia é “a violação, por meio do uso de técnicas audiovisuais, do direito à privacidade do corpo humano em sua natureza masculina e feminina, violação que reduz a pessoa humana e o corpo humano a um objeto anônimo destinado a uma má utilização com a intenção de obter gratificação concupiscente”[ii]. Palavras bonitas para expressar que a pornografia é algo que reduz o outro a um objeto para uma satisfação sexual egoísta.


A pornografia é um dos tipos de conteúdo mais consumidos no mundo, em especial, na internet. Ela também é consumida pelos mais diferentes gêneros, orientações sexuais e idades. 28.258 usuários de internet assistem pornografia a cada segundo[iii]. 1 em cada 5 pesquisas em dispositivos móveis é por pornografia. Desse montante, parte são de jovens estudantes, dos quais 71% dos adolescentes escondem o comportamento online dos pais; 51% dos estudantes do sexo masculino e 32% das estudantes do sexo feminino viram pornografia pela primeira vez antes da adolescência. A primeira exposição à pornografia entre os homens é aos 12 anos, em média.


Fico preocupado ao ver que jovens de doze anos consumam pornografia. Na verdade, fico preocupado que jovens tão novos estejam tão sexualizados. Pois já no início da puberdade o jovem está buscando padrões de beleza e em busca de um par para ter suas primeiras experiências reprodutivas. Uma pressa que tomará uma fase que fará falta. Enfim, os jovens têm consumido bastante pornografia em relação a outras gerações, e isso me preocupa.


Sempre houve pornografia? Bom, é preciso entendermos antes a diferença entre pornografia e erotismo. Erotismo é a representação explícita de nudez ou da sexualidade, que pode ser feita por diferentes motivos, em geral motivos artísticos. O Erotismo celebra a beleza do corpo humano, a beleza do sexo, mas não procura excitar o espectador a fim de que esse busque uma satisfação sexual. Quando Sandro Botticelli representou Vênus nua saindo das águas do mar e sendo recebida por uma deusa outonal ele não desejou que ninguém se excitasse diante daquela mulher nua, e, de fato, isso não acontece, a menos com pessoas doentes, mas aí é uma outra história.


Uma vez feita a devida diferenciação, repito: sempre houve pornografia? Sim, mas três fatores aconteceram para mudar totalmente o rumo dela: a ascensão do capitalismo, a criação da máquina fotográfica e o surgimento da internet.


Há pinturas e ilustrações feitas na antiguidade e na Idade Média que são pornográficas, mas tudo mudou com a chegada da fotografia. A captura de luz gerando a retratação de imagens mal surgiu no século XX e já tinham fotos pornográficas sendo feitas. Em 1960, inventaram uma geringonça na qual os sujeitos podiam ficar visualizando fotos pornográficas para sua satisfação, eram as chamadas “caixas de perspectiva”. E sabe porque fizeram isso? Por que dá dinheiro.


Vênus era mulher de Vulcano, porque é fogo. Ela traia o marido com Marte, com quem teve Cupido – porque do amor e da guerra, ou ódio, nasce a paixão. Ela também foi soprada pelo vento do Oeste, Favônio, por que é movida pelos ventos das paixões. Mas, hoje em dia, Vênus rendeu-se a Pluto, pois o dinheiro tornou-se o deus mais forte.


A pornografia é um negócio lucrativo. Em 2006, as receitas estimadas para as empresas de entretenimento relacionadas com o sexo foram de pouco menos de 13 mil milhões de dólares nos EUA. Essas estimativas incluíam vendas e aluguel de vídeos, vendas pela Internet, TV a cabo, pay-per-view, sexo por telefone, revistas de clubes de dança exóticas e lojas de novidades. Mas isso é fácil de constatar: quantos jovens mantêm, escondido de seus pais, sites pay-per-view de fotos íntimas suas para que desconhecidos se excitem após pagamento via cartão de crédito?


Por ser algo lucrativo, busca-se lucrar ao máximo. Sites pornográficos ganham dinheiro com anúncios, registros sexuais são vendidos como conteúdos exclusivos, filmes e séries não pornográficos colocam cenas pornográficas para assimilarem a satisfação sexual à recepção da produção e por aí vai... nem precisamos falar dos mercados de tráfico humano, prostituição e até comércio de drogas e entorpecentes que estão ligados a este mercado.


O fato é que hoje a pornografia tem sido mais popular do que nunca. E cada vez mais cedo tem se consumido pornografia. 90% dos adolescentes e 96% dos jovens adultos são encorajadores, receptivos ou neutros quando falam sobre pornografia com os amigos. Muitas pessoas tomam o consumo de pornografia como algo normal e trivial. Até padres e outros líderes religiosos fazem consumo (alguns declaram abertamente, outros consomem escondidos). Vivemos na era da pornografia! A verdade é que seu avô, bisavô e trisavô nunca viram na vida toda deles juntos a metade das horas de sexo que você já assistiu.


E que tipos de cena de sexo são essas? Ora, a pornografia varia entre o soft porn e o hard porn, isto é, desde coisas levemente pornográficas, que causam uma leve excitação sexual, até coisas totalmente pornográficas e grotescas. Também é possível dividir os gêneros pornográficos entre industriais e caseiros, isto é, feitos por estúdios de produção pornográfica com atores do ramo ou gravados por pessoas comuns, na privacidade de suas casas. Por fim, é possível classificar quanto a forma de representação, havendo produções audiovisuais, gráficas, animações (os famosos hentai japoneses) e até por texto, o chamado sexting americano.


Independente do estilo, toda forma de pornografia possuirá as mesmas características que a fazem ser má: uma cultura do adultério, da fornicação, da contracepção e do estupro; a perda da noção da realidade e da dignidade da pessoa humana; o vício e uma série de problemas físicos e mentais; o desejo por coisas mais fortes, como é próprio de todo vício; a perda da capacidade de amar e egoísmo mais exacerbado possível.


Há algo de blasfemo na pornografia, uma espécie de troça ao sagrado. E não me refiro aqui à banalidade com a qual o nome de Deus (Oh, my god!) é proferido em meio a gemidos e gritos, mas existe um feeling que vai matando o que há de sagrado no humano.


Existe na pornografia um senso de anticoncepção, isto é, normaliza-se a ideia de que o sexo e a procriação não têm nada a ver uma coisa com a outra. O que era distinguível (porque o sexo não é realmente pura procriação, mas está vinculado a ela como música e dança estão interligadas) torna-se separado e até bloqueado nas mais diferentes posições e afins. Este mesmo sendo, zomba da relação entre as pessoas, brincando com temas como adultério, incesto e até mesmo estupro. Ora, se uma pessoa vê uma representação de uma dessas abominações de maneira prazerosa, o que o impedirá de, no fundo de seu inconsciente, desejar também ela cometer tais atrocidades?


Essas atrocidades também podem ser cometidas porque o usuário de pornografia perde a noção da realidade. Em filmes pornôs tudo é muito fácil e conveniente, todos estão cobertos de tesão e tudo dá certo. A vida não é assim! Nem toda hora o seu/sua parceiro/parceira vai querer copular; nem todo esquema para você “pegar” alguém vai dar certo; você não vai fazer sexos por meia hora como o cara do filme. A indústria pornográfica é cinema, isto é, ficção, mentira. O suor é borrifado, os gritos são atuados, a percepção de tamanho é feita por perspectiva de câmera, a ereção prolongada é feita por medicamentos, a duração do ato é feita em vários takes... É tudo falso! Ora, se você vê um filme da Marvel Comics e não sai acreditando que super-heróis existem, porque tomar a falsidade de todas aquelas fantasias depravadas em realidade?


Toda essa irrealidade faz com que a dura e brochante (literalmente?) realidade se torne insustentável. Por isso, não é incomum que pessoas viciadas em pornografia percam total interesse por seu/sua parceiro/parceira. Ao excitar-se por meio de pornografia, você tem todo o controle. E na vida real, se tem algo que realmente não temos e nunca teremos, é o controle.


Perdendo noção da realidade, o consumidor de pornografia também perde a noção da dignidade humana. O indivíduo passa a ver o outro como objeto, como posse, como descartável. Literalmente, perde a capacidade de amar. Muitos psicopatas eram, antes de tudo, viciados em pornografia, não é atoa que muitos crimes seriais envolvam também o estupro. E não é só isso, perdendo essa sensibilidade humana, o indivíduo perde a capacidade de ver as nuances da vida, tal como a beleza de uma obra de arte, uma boa literatura, uma bela pintura, uma boa música. É que o espírito fica embrutecido, a racionalidade é reduzida e prevalece o puro instinto animal. Os casos de assédio são assim. Já o disse e repito: o consumo de pornografia está diretamente ligado à cultura do estupro.


Além de bestializar a mente, a pornografia também traz sérios problemas à saúde. Um sujeito que desgasta toda sua libido e sua potência na pornografia acaba por perder seu desempenho, tanto sexual, quanto de modo geral. O sujeito passa a sofrer de insônia, distúrbio de atenção, depressão, ansiedade e até mesmo perda de força e de ânimo[iv].


No casamento, as consequências são ainda mais graves. A satisfação baseada na pornografia frustra a satisfação entre o casal. O desejo de experimentar novos prazeres levam ao adultério e, consequentemente, a ruptura de famílias. Também, é uma questão de lógica: quem se excita vendo outra mulher, não só na sua mulher vai querer se excitar.


Ao sentir prazer por meio de pornografia, o indivíduo recebe em seu cérebro uma descarga de dopamina, que adestra o corpo a querer mais, resultando em vício, o problema é que essa descarga vai diminuindo, ao que o sujeito vai ter que procurar novos estímulos. Um prazer por sexo simples vira um prazer por incesto e depois vira sexo grupal que então vira prazer por sexo homossexual, o que pode ir cada vez mais rumo ao macabro, da pedofilia indo para a zoofilia, da zoofilia para necrofilia, da necrofilia para zoonecrofilia. Um sinal claro de que esse processo está acontecendo é o indivíduo aos poucos começar cada vez mais a se demorar na escolha de um vídeo/foto que lhe agrade. “No pior dos casos, a pornografia pode atuar como agente de incitação e reforço, um cúmplice indireto, em agressões sexuais graves e perigosas, tais como a pedofilia, os sequestros e assassinatos”[v].


Em sua obra, Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley apresenta um futuro distópico onde os seres humanos são completamente viciados em sexo, sendo introduzidos na vida sexual ainda crianças. Os cinemas, cada vez mais sensualizados, passaram a transmitir apenas as cenas de sexo, ao que todos iam para buscar uma experiência extrassensorial. Uma das personagens é repreendida pelas amigas por passar muito tempo (dois meses) em um relacionamento com um único homem. Até mesmo as cerimônias religiosas eram uma espécie de orgia sob o uso de drogas. As distopias são duras, mas elas sempre vão denunciar um futuro para qual a sociedade caminha.


O maior e mais comum erro humano é o egoísmo. E a pornografia está totalmente atrelada a isso. Na pornografia, não há uma entrega ao outro, há apenas um desejo de satisfação pessoal. O indivíduo que consome pornografia fecha-se aos outros e passa a desejar atender apenas suas necessidades imediatas. Quem consome pornografia é cheio de si e esvaziado de caridade.


Pornografia, a "escrita da prostituta" é prostituição. De que outra forma se referir ao adolescente que se filma nu e/ou se masturbando para que depravados de todo o mundo o paguem por assinatura? A pornografia ainda está totalmente ligada ao crime. A indústria pornográfica trabalha junto com o crime organizado, com o mercado de prostituição, com sequestros e o tráfico humano. Também é comum o aliciamento de menores e consumo de drogas ilícitas.


Considerando que todos esses motivos sejam o suficiente para convencer um indivíduo a abandonar a prática, o próximo passo se torna extremamente complexo. O sujeito que consome pornografia não consegue parar de fazê-lo, a pornografia lhe roubou a liberdade. Não sendo mais livre, o sujeito terá que lutar para abandonar essa prática maldita, mesmo sabendo que as cenas que ele viu nunca mais irão abandonar seu subconsciente. Como todo vício, o primeiro passo é reconhecer que é um viciado. A negação do fato corrobora para sua perpetuação.


O próximo passo é vencer um dragão por dia. O sujeito deve contar os dias, depois as semanas, e então os meses e os anos. Como se fosse um dependente químico, ele deve ir se soltando paulatinamente, tal como ele se prendeu ao vício. Para consegui-lo, é bom manter a mente ocupada. Vana mens, officina diaboli. Buscar não ficar atoa e adquirir um hobbie ou um bom hábito. Praticar alguma atividade física ou esporte ajuda bastante. Munir-se de bons livros e lê-los para não ficar a deriva no smartphone, sobretudo antes de dormir. Se é cristão, apegar-se a Deus e pedir que Ele lhe dê um coração puro; se é católico, buscar a confissão frequente. Utilizar-se de aplicativos e outros tipos de bloqueadores que o impeçam de cometer um deslize.


Em todos os casos, se os instintos ainda o conduzirem ao ato, é preferível que o indivíduo apenas se masturbe e não consuma pornografia. Ora, a pornografia pressupõe a masturbação, mas o contrário não é verdade. O ideal seria o sujeito não se masturbar, pelos mesmos motivos expostos aqui, mas uma vez que a pornografia é muito mais nociva, é preferível que o sujeito se chafurde apenas com a sua imaginação do que com a pornografia.

Mas se a pornografia é um mal tão grande, porque a sociedade não a combate? Por que atores, políticos e influencers não denunciam essa praga e trabalham para sua erradicação? Porque não existem leis para o banimento dessa desgraça? O mundo está doente, a sociedade como um todo vê o fato como normal. Além do mais, a pornografia é uma indústria e tem gente ganhando muito dinheiro com isso para simplesmente proibir. A raça humana cava a própria cova.


Quanto a nós, cidadãos comuns, convém falar do tema aos nossos filhos. Eu dizer também nossos alunos, mas imagino o auê que pais e mães fariam se soubessem que o desgraçado do professor falou de pornografia (não interessa se condenando ou não) para o seu alecrim dourado. Que os pais falem abertamente com seus filhos. “Convém não esquecer que, quando se está educando, ‘se obtém mais com uma explicação do que proibindo’”[vi]. A mamãe rata que não explicou ao filhinho como era o gato acabou o perdendo. Quanto à cultura pornográfica, cabe que os bons entrem nos mais variados meios da mass media e sufoquem esse mal pouco a pouco até que essa imundície não mais exista.


Enfim, somos todos pessoas falhas, mas não devemos nos render à aceitação ou à hipocrisia. A pessoa humana foi criada para o bem, só isso lhe dará a felicidade. Cada pessoa lá fora procura desesperadamente por esse bem, umas julgam tê-lo, outras ainda não. Alguns bens são falsos, mas qual será o verdadeiro? Se a pornografia não é um bem, visto que seus frutos são maus, então o que pode preencher esse vazio após se renunciar a esse falso bem? Quando Prosérpina foi raptada por Pluto, ela perdeu sua liberdade, sua mãe Ceres lamentou-se do fato e a ausência da filha trouxe grande seca e fome à terra. Um dia, Prosérpina voltou, livre, e grande foi a alegria de sua mãe que os bosques se encheram de flores e os doce odores atraíam borboletas, abelhas e beija-flores de uma primavera feliz.


 

[i] Definição de “pornografia” segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2024, https://dicionario.priberam.org/pornografia.

[ii] Trecho retirado do parágrafo 9 de Pornografia e violência nas comunicações sociais: uma resposta pastoral (Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais).

[iii] Todas as estatísticas foram retiradas de pesquisas do grupo Convenant Eyes (www.covenanteyes.com).

[iv] PRIVARA, Michal. BOB, Petr. Pornography Consumption and Cognitive-Affective Distress. In: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10399954/

[v] Trecho retirado do parágrafo 17 de Pornografia e violência nas comunicações sociais: uma resposta pastoral (Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais).

[vi] Trecho retirado do parágrafo 24 de Pornografia e violência nas comunicações sociais: uma resposta pastoral (Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais).

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